quinta-feira, 4 de março de 2010

Ações e Destinos


Numa floresta, nos arredores de uma cidade da Índia, vivia um eremita que era considerado um gênio fantástico para predizer eventos. As pessoas afluíam para ele a fim de saber seu futuro, sem se importar com o fato de que o eremita não gostasse de satisfazer-lhes a curiosidade.


O eremita continuamente mudava de acampamento, adentrando-se cada vez mais na floresta, até que as pessoas ficaram cansadas de procurá-lo e desistiram de sua busca.

Um dia, dois amigos, Vipul e Vijan, perderam-se no caminho, enquanto tomavam um atalho na floresta. Perambularam até escurecer, já estavam exaustos e amedrontados, quando viram uma luz vinda de uma cabana perto de um riacho murmurante, numa atmosfera cheia de fragrância de sândalo.

Espiaram dentro da cabana e viram um velho imerso em transe. Adivinharam que ele devia ser o eremita reputado por suas acuradas profecias. Acocoraram-se no chão da cabana e, quando o eremita abriu os olhos, prostaram-se diante dele.

Pediram abrigo ao velho, falaram que estavam perdidos, com fome e com medo. O eremita ouviu a história deles e deu-lhes frutos variados para comer.

“Relaxem. De manhã, tomem um banho no riacho. Alguns de meus discípulos devem estar aqui depois do amanhecer. Pedirei a um deles para mostrar-lhes como sair da floresta”, disse o compassivo eremita.

Eles fizeram o que foi aconselhado por ele. Porém quando chegou a hora de partirem, colocaram-se diante dele com as mãos postas e disseram:

“Senhor, sabemos de suas maravilhosas capacidades para predizer o futuro das pessoas. Seríamos tolos se deixássemos sua presença sem conhecer nosso futuro, agora que o destino nos colocou face a face com o senhor!”

“Olhem aqui, rapazes, não gosto de predizer coisas. Pode não ser bom para vocês conhecerem o futuro. Além disso, seu futuro como está agora, pode não permanecer inalterado!” disse o eremita.

Mas os jovens permaneceram onde estavam, esperando que o eremita satisfizesse seu desejo.

“Tudo bem”, disse o eremita. “Sentem-se quietos por um momento, enquanto medito sobre vocês”. Então, olhando para Vipul, disse com a voz firme daquele que sabe:

“Você será um rei dentro de um ano.”

Então, com o olhar fixo em Vijan disse:

“Pena, rapaz, você morrerá nas mãos de um assassino, dentro de um ano!”

Os dois amigos inclinaram-se diante dele e despediram-se.

Uma vez na floresta, Vipul não podia conter sua alegria e dançava como um possesso. No entanto, o outro ficava cada vez mais pensativo e com um certo ar sombrio, o que era muito natural.

De volta à cidade, Vipul comportou-se cheio de orgulho e arrogância:

O refrão de sua fala quando ficava aborrecido com alguém era: “Vou decapitá-lo quando me tornar rei!”, inclusive dizia isto até para seus companheiros. As pessoas sabiam que o eremita profetizara que ele seria um rei e estavam temerosas de contradizê-lo, conduzindo-se diante dele com temor.

Vijan, que era um professor, fazia seu trabalho com grande devoção e passava o resto de seu tempo orando e meditando, ou então servindo pessoas à sua volta. Era humilde com todos. Vagarosamente saiu de seu humor sombrio e a morte não mais parecia se agigantar diante dele. Havia se entregado a Deus.

Seis meses se passaram. Uma noite, Vipul chamou Vijan e disse:

“Querido amigo. Vou sair para escolher um lugar para meu futuro palácio. Você não quer me ajudar na escolha?”

Vijan acompanhou Vipul. Estavam ambos examinando uma região deserta quando Vipul tropeçou em um pote meio enterrado. Desenterrou-o, removeu a tampa e viu que continha ouro.

“Urrah!, gritou. “Minha sorte começou a despontar! Agora devo usar este dinheiro para preparar-me para receber a coroa que está vindo para mim!”

Ele mal acabara de falar, quando um bandido pulou de um arbusto e tentou apoderar-se do pote em suas mãos. Vendo o amigo em apuros, Vijan veio socorrê-lo, sendo atacado então, pelo bandido com um punhal. Porém, Vijan era mais forte e lutou com o bandido, dando um murro no sujeito, tirando-lhe a arma, apesar de ter recebido um corte no ombro. O bandido fugiu.

O agradecido Vipul ofereceu a Vijan a metade da riqueza que o pote continha. Mas Vijan polidamente recusou a oferta, dizendo que, como tinha que morrer brevemente, não necessitava de dinheiro.

Vipul gastou a riqueza extravagantemente – comendo, bebendo e se divertindo de muitos modos dúbios.

Um ano inteiro se passou. Não havia sinal de qualquer coroa que estivesse chegando para Vipul, nem da morte se aproximando de Vijan.

Esperaram durante algum tempo. Depois foram procurar o eremita que, enquanto isso, havia se entranhado ainda mais na floresta.

“Senhor, como suas profecias deram errado?” perguntaram-lhe quando, por fim, o encontraram.

O eremita sentou-se em meditação por um longo tempo. Então disse a Vipul:

“Seu destino mudou por causa de suas estúpidas ações durante esses meses. A coroa que lhe era destinada, foi reduzida a um pote cheio de ouro que você achou no campo.”

Virando-se então para Vijan, disse:

“Suas preces, humildade e confiança no Divino, mudaram seu destino também. A morte pela mão de um assassino foi reduzida a um mero ferimento produzido por ele.”

Os dois amigos retornaram silenciosamente.

Histórias da Índia Antiga

10 comentários:

  1. O destino em vida de cada um de nós,também representa o da justiça martelo,pois és o que vives!Lindo conto,parábola quase!Em vc Cris Tarcia,a ternura habita,voce é minha abelha rainha,amiga doçura ,que jamais esquecerei,e fuefíssima!

    te amooooooooooooooo Pessoaaaaaaaaaaaaaaa

    viva la vida!

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  2. Destino, no final das contas, é somos nós que fazemos...

    Fique com Deus, menina Cris Tarcia.
    Um abraço.

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  3. Que maravilha de história. Podemos mudar nossos destinos com nossos pensamentos e ações. Grande beijo, amiga e obrigada sempre por sua amizade.

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  4. De calar a alma e fazer refletir!!
    Absolutamente lindo!!!
    Que catinho mais lindo este seu!! Um capricho!
    Lindo demais!
    Beijo carinhoso minha amiga
    Bea

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  5. M de Mulher!

    Seus Malabarismos Mágicos Manipulam Marionetes.
    Meninas, Mães, Madres, Marquesas e Ministras.
    Madalenas ou Marias.

    Marinas ou Madonas.
    Elas são Manhãs e Madrugadas.
    Mártires e Massacradas.
    Mas sempre Maravilhosas, essas Moças Melindrosas.
    Mergulham em Mares e Madrepérolas, em Margaridas e Miosótis.
    E são Marinheiras e Magníficas.
    Mimam Mascotes.
    Multiplicam Memórias e Milhares de Momentos.
    Marcam suas Mudanças.
    Momentâneas ou Milenares, Mudas ou Murmurantes,
    Multicoloridas ou Monocromáticas, Megalomaníacas ou Modestas,
    Musculosas, Maliciosas, Maquiadoras, Maquinistas,
    Manicures, Maiores, Menores, Madrastas,
    Madrinhas, Manhosas, Maduras, Molecas,
    Melodiosas, Modernas, Magrinhas.
    São Músicas, Misturas, Mármore e Minério.
    Merecem Mundos e não Migalhas.
    Merecem Medalhas.
    São Monumentos em Movimento, esses Milhões de Mulheres Maiúsculas.

    (texto tirado da nte).

    FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

    beijooo.

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  6. Minina Tarcia,vc vai acabar se transformando em uma linda hindu,de tantas lindas histórias ,parábolas quase dessa terra linda ,que tanto amei,quando lá estive,linda e fedorenta kkkkk!

    te gosto flor amada pessoa nossa!

    Viva La Vida!

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  7. Oi Cris,
    passei à dias por aqui, mas não consegui postar comentário devido à lentidão da internet... vamos ver se hoje ela não me atraiçoa!

    as histórias da Índia antiga são sempre comovedoras, no propósito de ensinamento mayor, a que todos nós não deveremos ficar indiferentes... belíssimas no conteúdo.

    Cris, felizmente a minha cidade não foi afectada, apesar de chover consecutivamente, faz muito tempo. O pior mesmo foi na ilha da Madeira, com dezenas de mortos, e a capital, cidade do Funchal parcialmente destruída...
    Muita coisa terrível está acontecendo por esse mundo afora...

    Tudo ok comigo, só não tenho tanto tempo agora para o blog, são muitos afazeres, contudo estou sempre presente, ainda que nem sempre comente...

    beijo grande daqui, da Pátria Lusa, berço da nossa Língua, a Língua de Pessoa, de Camões...

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  8. vim agradecer sua visita e te conhecer.. amei a historia.. linda lição de vida.. temos mesmo que ser humildes . parabens pelo blog..estarei te seguindo.. beijão

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  9. VIM CONHECER OUTRO CANTINHO SEU, BEM ESPECIAL..
    AMEI..

    AGRADEÇO E RETRIBUO O SEU CARINHO AMIGA, NESTE DIA TÃO ESPECIAL..
    MULHERES ESPEICIAS..
    UNICAS CRIADAS POR DEUS...
    LUZ AOS OLHOS DO MUNDO..
    HERANÇA QUE VEIO PARA FICAR NA HUMANIDADE.
    ESPERANÇA DA CONTINUIDADE DA VIDA!
    RAINHAS PARA OS CORAÇÕES APAIXONADOS DE UM GRANDE HOMEM.
    ETERNAS NO SEU AMOR...
    SABIAS NAS SUAS ATITUDES.

    PARABÉNS A TODAS NÓS, QUE SOMOS GUERREIRAS, AMANTES, SABIAS, CORAJOSAS, ADMIRÁVEIS AOS GRANDES OLHOS DE DEUS..
    FEMININAS E SEDUTORAS...
    FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

    CARINHOSAMENTE,
    SANDRA

    VEM BUSCAR SEU SELINHO DA MULHER..
    CURIOSA LHE OFERECE DE CORAÇÃO..

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  10. Que linda história. Amei. E no final o silêncio...
    Grande abraço

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